sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

VAMOS A LA PAZ, SEÑOR

Nosso velho Chevrolet 55 subia penosamente a cordilheira dos Andes. Eram subidas e descidas intermináveis, a 10, 20 quilômetros por hora. O ônibus mal cabia na estrada estreita, de pedra cavada nas montanhas. A velocidade era tão baixa que, em alguns trechos, alguns de nós preferiam ir a pé para apreciar melhor a paisagem.
De repente , numa aclive mais íngreme, o radiador começou a ferver, esquichar água, e o motor parou de funcionar. O problema era grave: a bomba de gasolina estava vazando, e os pingos caíam junto da velas, com risco de incêndio e explosão.
Em poucos minutos chegou um ônibus de passageiros que vinha estrada acima e um caminhão em sentido contrário. Como não havia como ultrapassar, ambos tiveram que parar, e nos vimos rodeados de bolivianos, mais divertidos que preocupados com o incidente. O centro do interesse de todos era o motor. Formaram-se grupinhos que trocavam idéias sobre a melhor forma de resolver o problema.
Depois de várias tentativas, o vazamento de gasolina foi estancado com sabão e barbante. Um passageiro do ônibus, que observava atentamente a operação, me perguntou para onde estávamos indo.
- A La Paz - respondi.
Ele olhou aquele conserto improvisado, riu baixinho e disse:
- Pero con este coche ustedes irán a la paz... del señor...

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